Limpeza e Desinfecção de Dispositivos Móveis em Centros de Saúde

Práticas recomendadas para prevenir infecções

Por: Daniel Hicks, especializado em controle de infecção.

Nos Estados Unidos, cerca de 1,7 milhão de pacientes são afetados anualmente por infecções relacionadas à atenção médica (HAI). Estima-se que um terço desses casos possa ser evitado seguindo os regulamentos de prevenção de infecções. A transmissão de HAI está associada a diferentes fontes: pacientes, equipamentos médicos e superfícies. Nos últimos anos, o uso de dispositivos móveis por profissionais de saúde (telefones celulares, tablets, computadores móveis e impressoras) expandiu-se rapidamente. Embora esses dispositivos tenham melhorado significativamente a experiência do paciente, eles também podem abrigar organismos infecciosos prejudiciais que, por sua vez, geram novos riscos de transmissão de microrganismos, comprometendo os cuidados médicos.

Para que os hospitais protejam adequadamente pacientes e funcionários, é essencial estabelecer protocolos para limpeza e desinfecção de dispositivos e práticas para proteção contra infecções.

A Agência de Pesquisa e Qualidade da Atenção Médica, entre outras organizações, destacam a importância da limpeza e desinfecção para reduzir o impacto do IAAS². Os termos “limpeza” e “desinfecção” têm definições significativamente diferentes, portanto, é importante distingui-las corretamente.

LIMPEZA DE DISPOSITIVOS MÓVEIS

É um processo manual que consiste em executar um movimento de lavagem com um limpador de microfibra ou micro denier umedecido (pano de lente). A limpeza de dispositivos móveis consiste em remover a sujeira visível ou presente das superfícies.

SOBRE MICROFIBRA: Os tecidos de microfibra são eficazes na remoção de umidade que contribui para o crescimento e a sobrevivência de microrganismos.

A microfibra é uma coleção de fibras sintéticas densamente construídas que fornecem seis vezes mais absorção do que os produtos de limpeza convencionais. Os panos de microfibra ajudam a impedir a propagação de micro-organismos prejudiciais, eles são capazes de remover grandes volumes de micróbios, incluindo esporos difíceis de matar. De acordo com o American Journal of Infection Control, a microfibra demonstra “depuração microbiana superior” em comparação aos produtos convencionais.³

Em testes publicados pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), os limpadores de microfibra removeram até 98% das bactérias (e 93% dos vírus) das superfícies usando apenas água. O pano de microfibra geral- mente é suficiente para matar diferentes tipos de bactérias. No entanto, muitas vezes é necessário um nível adicional de descontaminação para matar outras bactérias mais perigosas e duradouras.

DESINFECÇÃO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS

A desinfecção é um processo que elimina a grande maioria ou todos os micro-organismos patogênicos em uma superfície previamente limpa. A eficácia de qualquer desinfetante diminui quando há sujeira. Desinfetan- tes são usados para destruir micro-organismos que se abrigam em superfícies. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), existem três níveis de desinfecção:⁵

DESINFECÇÃO DE ALTO NÍVEL: Destrói todos os micro-organismos, exceto aqueles com altos níveis de esporos bacterianos com “um germicida químico licenciado para comercialização como esterilizante” pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA). Esse nível de desinfecção é necessário para dispositivos que estão em contato com tecidos estéreis ou membranas mucosas, por exemplo: instrumentos cirúrgicos.

DESINFECÇÃO DO NÍVEL INTERMÉDIO: “Mata microbactérias, a maioria dos vírus e bactérias com um germicida químico registrado como tuberculocida” pela EPA. Estes são utilizados em áreas de hospital  com altos fluxos de interação entre pacientes, visitantes e funcionários. Desinfetantes para áreas de nível intermediário incluem desinfetantes hospitalares registrados pela EPA, como hipoclorito de sódio (alvejante). Peróxido de hidrogênio ou lencinho à base de alvejante ou sprays, são geralmente eficazes. A Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) recomenda o uso de uma solução de alvejante 1:10 para matar patógenos (por exemplo, C. difficile) que são de maior preocupação para os hospitais.

DESINFECÇÃO DE BAIXO NÍVEL: “Mata alguns vírus e bactérias com um germicida químico registrado como desinfetante hospitalar” pela EPA. Desinfetantes quaternários, ou quats, geralmente são usados em superfícies que são tocadas com muito menos frequência do que o resto, por exemplo: em áreas sem pacientes. Qualquer índice de eficácia de desinfetante deve ser registrado pela EPA e, portanto, cada desinfetante usado por um hospital deve ter um número de registro EPA na etiqueta. Para uma desinfecção adequada e para aliviar o risco de deixar bactérias nocivas na superfície dos dispositivos, é importante atender à chamada da Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) e seguir as instruções fornecidas para executar o processo de desinfecção no dispositivo usado.

MELHORES PRÁTICAS PARA LIMPEZA E DESINFECÇÃO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS

A diretriz do CDC para desinfecção e esterilização em unidades de saúde não aborda especificamente a questão dos dispositivos móveis. As melhores práticas para limpar e desinfetar esses dispositivos podem ser criadas com base em uma definição dada pelo CDC para um “elemento de atendimento ao paciente não crítico “e uma “superfície de contato clínico”. As recomendações para  os profissionais de saúde que precisam limpar e desinfetar seus dispositivos móveis após interagir com os pacientes são: Desinfete o dispositivo umedecendo um pano macio com o produto de limpeza ou use um pano pré-umedecido. Nunca aplique líquido diretamente no dispositivo. Não permita que o líquido se acumule na tela ou em qualquer outra área do dispositivo.

Limpe cuidadosamente todas as superfícies do dispositivo. Certifique-se de limpar  as teclas e os espaços entre elas. Após a limpeza, remova-o imediatamente com um pano macio e não abrasivo para evitar danos. Deixe a unidade secar completamente antes de ser usada novamente.

É importante ter em mente que a maioria dos desinfetantes deixa materiais residuais que se acumulam ao longo do tempo. Para evitar esse problema, limpe o dispositivo com um pano com álcool isopropilo (pelo menos uma vez por turno).

RECOMENDAÇÕES ADICIONAIS

Essas recomendações são adaptadas do CDC pela Associação de Profissionais em Controle de Infecções e Epidemiologia:⁷

1 – BARRERA DE PROTEÇÃO
Coloque uma barreira impermeável ou resistente à água no dispositivo móvel. O CDC recomenda o uso de capas protetoras sobre “superfícies de contato clínico não críticas que são frequentemente tocadas, e também com luvas, durante o atendimento ao paciente”.

2- FREQUÊNCIA
Desinfete o dispositivo móvel antes e depois de cada interação com um paciente ou sua família. Faça isso com um aprovado pela instituição para itens não críticos. O CDC recomenda continuar com a “desinfecção de baixo nível para cuidados ao paciente não críticos e equipamentos  que tocam a pele”.⁸

3 – CRONOGRAMA
Siga um horário regular e padronizado para desinfetar seu dispositivo móvel. O CDC recomenda o uso de desinfetantes de baixo nível “regularmente” para dispositivos de atenção  ao paciente não críticos.

4 – LAVAGEM DAS MÃOS
Faça a lavagem das mãos antes e depois de usar um dispositivo portátil. O CDC recomenda descontaminar as mãos após o “contato com objetos inanimados, em relação ao paciente”.

5 – SELECIONANDO PRODUTOS DE LIMPEZA
Existe uma ampla gama de produtos de limpeza registrados na EPA para o controle das infecções e instalações médicas. Segurança, vida útil, compatibilidade de materiais e aplicação na hora de selecionar os produtos disponíveis é importante. A área específica do hospital determina o nível de limpeza e desinfecção necessário.

AUMENTO DA CONSCIÊNCIA E AUMENTO DO CUMPRIMENTO

Além de estabelecer boas práticas e padronizar processos que contribuem para limpar e desinfetar dispositivos móveis para atendimento médico, os especialistas concordam que os departamentos de controle de prevenção de infecções devem implementar procedimentos que lhes permitam aumentar a conscientização e monitorar o uso de novas tecnologias em suas instalações. Nas entidades que fornecem dispositivos portáteis para sua equipe, devem ser incluídos como parte do software incorporado: informação e lembretes sobre o cumprimento.

 

 


Sobre o autor:

Seal
A Seal Sistemas é a maior integradora de soluções de mobilidade do Brasil e atua há mais de três décadas no mercado de computação móvel e captura automática de dados, dando suporte à construção de uma relação de confiança entre o usuário final e mais de 2.000 empresas que integram a sua carteira de clientes dentro e fora do Brasil. Com a missão de apoiar a transformação dos negócios em linha com as mudanças do mercado de consumo, a Seal Sistemas desenvolve e implementa soluções completas de mobilidade e automação para toda a cadeia de suprimentos, em mercados como varejo, indústria, logística e saúde. Seu amplo portfólio conta com tecnologias avançadas como IOT, ESL (etiquetas eletrônicas de prateleira), Voice Picking (coletores de dados por comando de voz), o middleware Kairos Warehouse e o software para automação de chão de lojas Kairos Store, além de soluções tradicionais para captura automática de dados, como impressoras, leitores de código de barras e infraestrutura para redes sem fio locais e metropolitanas. Mais informações: seal.com.br

Deixe um comentário